sábado, 18 de setembro de 2010
A Origem
Demorei um pouco pra falar sobre esse filme, mas, quem viu sabe, A Origem é uma daquelas coisas que nos deixa meio confusos das idéias. Algo que nos faz não pensar em nada além dele, durante a volta do cinema pra casa, arranjando motivos para odiá-lo e amá-lo ao mesmo tempo, ou simplesmente entendê-lo.
A Origem é quando um drama de ficção cientifica profundo e inteligente encontra Hollywood. Uma idéia interessante, mas complexa, fica ainda mais complicada, misturada com um monte de cenas de ação maçantes e que não ajudam em nada no andamento da trama. Porém, não há como sair do cinema sem pensar e repensar no que acabamos de ver. E algo que faz as pessoas pensarem e é pauta de conversas e teorias pode ser considerado uma obra de arte.
O ponto forte do filme é justamente a idéia. Não a idéia que o grupo de ladrões de sonhos tem que implantar na mente de outra pessoa, mas a idéia de o fazer. Sonho é uma coisa universal, porém, mesmo assim, pode-se dizer que é complexo para o ser humano. Eu tenho certeza que viagens pelos sonhos não é algo inédito, mas nunca foi mostrado de uma maneira tão intensa e brilhante como agora.
O longa tropeça na elaboração desse tema, já que o background é perfeito, culpa quase que exclusivamente das cenas de ação que não casam com aquilo que realmente é mostrado. A maneira “didática” que nos apresentam o mundo e as regras na primeira seqüência do filme, aliás, onde a trama flui bem melhor que no clímax e no final, fazendo o público acreditar que um esplendido longa se desenvolverá dali, juntamente com a elaboração do plano de inserção, entra em conflito com a hora de conectar as pontas.
Quando o público quer saber o que vai acontecer, são mostradas imagens de fuga no gelo e tiroteio, sendo que a nossa atenção está realmente na resolução do conflito e no drama de Cobb. Dá vontade de pegar o controle remoto e passar o filme pra frente. Não que as cenas de ação sejam mal feitas (muito melhores que vários filmes de ação de hoje em dia, especialmente, na técnica), porém, não parecem agregar em nada. O plano da inserção e seu desenvolvimento é interessante, mas se torna tedioso conforme vão aparecendo trens fora dos trilhos e perseguições na neve.
O monstro do subconsciente de Cobb, sua mulher Mal, é algo que puxa a nossa atenção até o final do filme, mas a resolução do mesmo não me agradou. Um flashback explicou o grande mistério de A Origem, que, como drama, foi um desfecho espetacular, mas o que me incomodou foi o que fizeram com essa descoberta. Digamos que, logo depois, veio outro mistério, só que esse não é resolvido. Mas é aí que eu me pergunto: acabar com os monstros do subconsciente de Cobb era o objetivo central? De repente, aquela trama em paralelo toma o lugar do que motivou quase todos os personagens.
Na parte de ficção cientifica, A Origem é o melhor exemplar dos últimos anos, com certeza. E no drama também não fez feio. Mesmo só dois personagens sendo aprofundados, a atuação e os pedaços que se encaixam lá no final corroborou em cenas emocionantes e belas construções de personagens. Até mesmo na parte da trama que poderia ser chamada de drama policial, junto com o grupo de ladrões bem entrosados, fez com que o filme suspirasse no meio de tanta tensão.
Uma observação para a trilha sonora do longa, que é simplesmente fantástica e um dos maiores méritos dele. Hans Zimmer a cada filme se supera.
No final, me deu uma sensação de que, entre cataclismas, pouco realmente foi explicado e, para compensar isso, a resolução do filme fica em aberto (o famoso é ou não é?). Porém, Inception é um longa-metragem com um plot genial e excelente em sua concepção e merece ser assistido.


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