terça-feira, 27 de julho de 2010
The Vampire Diaries (1ª Temporada)

Sempre tive mais interesse pela figura do vampiro, do que pelas obras sobre vampiros propriamente ditas. Nunca havia me interessado em ver algum filme ou série, ou ler um livro, até que uma tal saga vampiresca abriu os meus e os olhos do mundo, mesmo que a contra gosto da maior parte dele, para esse ser mitológico.
Um tempo depois do começo da febre Crepúsculo, surgiu a série The Vampire Diaries, que muitas pessoas diziam ser bem melhor que a franquia cinematográfica já citada. Isso me deixou curioso, apesar de saber pouca coisa sobre a série, a não ser que existia uma adolescente envolvida com dois vampiros irmãos, conseqüentemente, um bom e outro mal.
Por menos preconceituoso que uma pessoa seja, não dá pra evitar a comparação com Crepúsculo, mesmo sabendo que certamente essa comparação era infundada, e até um pouco de repúdio por achar que a série queria aproveitar a onda dos vampiros. Mas havia outra coisa que me fazia querer assistir a Vampire Diaries.
Pesquisando um pouco sobre a série, descobri que era baseada em livros escritos muito antes de Crepúsculo, mas não foi por isso que me interessei, foi por ter gostado de uma outra adaptação literária feita pela CW, Gossip Girl, que já não estava boa das pernas. Assim, esperei até onde os elogios iriam durar, pois sei muito bem que do Piloto para o MidSeason muita coisa pode mudar, e comecei a assisti-la um tempo depois de sua season finale.
Acho que a maior sacada da série foi nos fazer olhar pra um lado e mostrar outro totalmente diferente. O que parecia, em seus 5 primeiros episódios, uma série teen normal, muito parecida com Smallville, Verônica Mars etc., se mostrou uma trama muito maior e inteligente, além de revelar dramas e conflitos que poucas séries adolescentes se arriscariam a fazer em sua primeira temporada. The Vampire Diaries foi de um thriller adolescente a um épico moderno(!).
O fato é que a série começou a se desmontar e a ter reviravoltas, dignas de séries mais adultas, que fizeram da trama de uma adolescente e seu primeiro amor vampiro virar um drama sobre o ódio entre dois irmãos e a mitologia de vampiros e uma cidade cheia de mistérios. Com o tanto que a história anda, alguns furos que houveram entre a transição de arcos se tornaram imperceptíveis ou irrelevantes, como o relógio de Jonathan Girlbert e a confusa morte do pai Salvatore.
É claro que nada é perfeito e tiveram alguns episódios e plots, especialmente depois que se descobriu ou não o verdadeiro paradeiro de Katherine e da morte da vó de Bonnie, meio chatos, considerados por mim como de transição ou simplesmente para a evolução de personagens que não eram tão explorados, como Matt e Caroline.
Não sei qual é a opinião do público, mas acho que o relacionamento de Matt e Caroline era algo que não precisava. Preferia as coisas como estavam, Matt um eterno apaixonado e não correspondido por Elena e Caroline a amiga inescrupulosa que se acha excluída. Aliás, esse é um vício que a série herdou dos formatos teen, de formar casais com pessoas de núcleos diferentes.
Outro ponto que eu não gostei foi a inserção de Alaric na série. Sinceramente não pensei que ele viesse pra ficar. Entendo sua importância em Vapire Diaries e até gosto de sua dobradinha com Damon, mas falta carisma ao personagem. Bem, sou da teoria de que séries teen nunca devem focar em adultos (o maior erro de The OC), pois, se a série é de adolescentes, os adultos têm que ser tratados pelo ponto de vista deles, ou seja, não existem!
Damon roubou a cena nessa primeira temporada, o que era até meio constrangedor para os outros atores, se percebe. Mas isso foi logo deixado pra lá, já que cada um teve seu momento de brilhar (não literalmente, por favor). Os primeiros episódios foram praticamente em cima dele, Damon era o fator que desencadeava todos os conflitos, até que organicamente ele foi se ajustando e, de repente, já era “um dos nossos”. Esse personagem não só dava gás à série, como também foi o mais desenvolvido.
Stefan é o contraponto de Damon, o cara que busca a redenção. E geralmente quem busca redenção não tem tanto carisma. Mas o personagem soube se impor e ganhou o seu lugar. Alguns devem o achar um idiota, um bundão ao lado de seu irmão, mas é para isso que ele está ali, pois, se todo mundo fosse o manda-chuva, todos seriam iguais e perderia a graça. Sem o herói, não existiria o anti-herói. E um herói precisa ser, até certo ponto, um chato.
Acho que irão concordar comigo, quando digo que não morria de amores por Elena no início da temporada, afinal, ela era chata, apesar de apenas ser uma adolescente normal. Com Jeremy foi ao contrário, ele era um personagem legal, mas, depois da morte de Vicki, ficou estranho, o que a série teve a genialidade de abordar, mesmo eu tendo gostado dele e de Anna e sua relação com o lado vampiro de TVD.
Depois que conhecemos a belíssima Katherine, claro, minha visão sobre Elena mudou e até a dela sobre si mesma. O único ponto que tinha a seu favor era de que estava nos representando, o público que descobria, junto com ela, a trama dos vampiros, mas essa trama a fez passar por tanta coisa que acabei me afeiçoando a Elena. Ela se tornou uma personagem mais decidida, mais firme, e o melhor é que nós vimos o que a levou a ficar assim.
The Vampire Diaries pode não ter um primor de roteiro ou ser algo super original, mas diverti e conseguiu ter o seu diferencial. Apesar de pequenos furos, a série não trata seu público como imbecil e não o faz esperar 13 episódios por um acontecimento, nos enchendo filiers. É contada a história que foi proposta se contar, quase que em ritmo frenético, e o melhor, sem um romance exagerado.
Gostei de assistir a primeira temporada de uma vez e sem spoiler ou expectativas, mas também estou ansioso pra ver as coisas no momento em que estão acontecendo. Esperemos, então, a segunda temporada e que ela seja melhor que a primeira.

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