domingo, 4 de julho de 2010
A Saga Crepúsculo: Eclipse
A Saga Crepúsculo é um fenômeno, talvez muito menor do que nós pensamos que ela seja, mas é. Faz milhares de meninas irem ao cinema, levando o seu namorado (que engole, mas também paga ingresso) e lerem os livros da série que se denominou “saga”. A adoração dos fãs é comparada com o ódio que o resto da população mundial tem desse filme, por isso ninguém descorda que Crepúsculo tem a sua fórmula para atrair o público e isso é um verdadeiro mérito.
A identificação com a personagem principal, uma das poucas que realmente é aprofundada nos filmes, Bella, é essa tal fórmula. Uma adolescente chata, autodestrutiva e sem nenhum pingo de coerência em suas atitudes, mas, em sua maioria, não é assim que as meninas se sentem, ainda mais em relação aos seus primeiros amores? As que se identificam são fisgadas, mas as pessoas, com as quais isso não acontece, não conseguem se preocupar o suficiente com ela ou com os conflitos superficiais que surgem, simples assim.
Eclipse mais uma vez é um pretexto para fazer Bella e Edward terem diálogos (algumas dessas cenas dão um novo sentido a palavra “bizarro”), onde falam de todo o seu amor e de como é impossível eles o viverem, e, como uma extensão da última cena de Lua Nova, Jacob foi inserido no meio desse romance, admito, dando um pouco de vida a tudo isso, para fazer aquelas mesmas meninas suspirarem por causa do “amor” ou do físico dos rapazes e venderem seja lá o que eles vendem com o nome da franquia.
O problema é que essa relação não é nenhum pouco impossível e se tornar um vampiro não parece ser uma maldição, até que é bem legal, sendo que os personagens mais de bem com a vida são vampiros. Não existe nenhum conflito que se possa levar a sério nesse filme, mesmo podendo ter, já que Victoria poderia matar Bella a qualquer momento, em qualquer lugar, mas durante todo o filme é deixado bem claro que o perigo está a metros de distancia e que nós devemos prestar atenção na mocinha sendo disputada pelos mocinhos. Enquanto uma vampira com sede de vingança está a caçando, ela se preocupa em casar ou não casar, ser vampira ou não ser vampira...
Até que Jacob quebra a tenção tediosa criada envolta do casal Bella e Edward. Quem diria que um lobisomem conseguiria trazer um pouco de humanidade pra esses dois últimos filmes? Eu tenho a leve impressão que, se Jacob existisse, ele com certeza odiaria a Saga Crepúsculo e isso pode ser um ponto de identificação com o público que não está nem aí pro casal protagonista. O que prejudica o personagem são os suspiros das mulheres no cinema, uma coisa que foi calculada pelo próprio filme para que aconteça. Taylor Lautner nem é um bom ator, mas um certo carisma (aquela identificação humana) faz Robert Pattinson, que é O ponto fraco do filme, ficar pequenininho perto dele. Além disso, Jacob é o personagem que tem mais conflito, ou melhor, tem conflitos mais palpáveis.
Um dos méritos de Jacob é a comédia. É inevitável! Jacob faz as pessoas rirem, tanto por cenas engraçadas e ver Edward sofrendo e levando chifre, como por vergonha alheia, o que está presente em várias cenas. Aliás, houve muitos diálogos de autocrítica que foram engraçadas. Bella e seu pai, Charlie, quebram o gelo por um instante, sendo que foi a relação dos dois que trouxe alguma (única) carga dramátia à série, ainda no primeiro filme. Bom, já que não querem sair da zona de conforto que é agradar as fãs, pelo menos, que não se leve a sério, então.
O olhar de ódio de Victoria no mar, sem ter falado uma palavra, em Lua Nova, foi muito melhor que a atuação de Bryce Dallas em Eclipse. Em nenhum momento ela passa medo ou faz algo mais amedrontador que rosnar como um gato ou enganar um vampiro apaixonado. Mas até que o núcleo dos vilões é divertido, apesar de aparecer pouco.
Assim como no filme anterior, em que eu preferia que se passasse todo na Itália, gostaria que Eclipse fosse todo em Seattle, porém, também em nenhum momento os vilões te deixam com medo ou raiva, com a exceção de uma cena no final do filme com uma certa garotinha. Aliás, Volturi parecem chefões de um jogo de video game, a cada final de faze eles dão o ar da graça, mas que pena que é só pra dizer um "Oi!". Dakota Fannig, ao maior estilo Darth Vader, deve estar competindo com Robert Pattinson pra ver quem faz caretas mais feias (gostava mais dela quando só chorava e gritava).
A batalha final e as cenas de ação são bem feitas, mas não passam de videoclipes bem elaborados e que não expressam nenhuma emoção. Uma guerra de seres superpoderosos em um local deserto, onde sabemos que nenhum personagem irá morrer, pois simplesmente a eles não foi conferida relevância na trama. O que sobra disso tudo é ver lobos e vampiros destroçando corpos de cristal, literalmente. Repito que, no final das contas, essa “batalha” foi um pretexto para que juras de amor fossem feitas.
Diferentes dos outros filmes, dessa vez, conhecemos melhor alguns personagens secundários, incluindo uma lenda da tribo de Jacob. Foi algo bem pequeno, mas muito mais interessante que a história da própria Bella, talvez fosse possível aprofundar mais esses personagens, mas, como disse antes, eles preferem o triangulo romântico inter-raças, tornando a história de Rosalie, Jasper e da criação dos lobisomens, um simples flashback.
Eclipse não é um filme que ofenda alguém, cumpre bem o seu papel, foi feito para fãs e, se você se deixar levar, pode até se divertir. Os efeitos especiais são bons, pra um filme que custou 69 (número sugestivo?) milhões de dólares, digamos que foi produzido direitinhos efeitos especiais são bons, pra um filme que custou 69 (número sugestivo?) milhões de dólares, digamos que foi produzido direitinho. Mas houve alguma coisa que me impede de dizer que foi o melhor, ou até mesmo me faz pensar que foi o pior. Parece que dessa vez acertaram em todos os quesitos que erraram nos outros filmes, menos um, o roteiro. Tentando dar uma cara cinematográfica, o roteiro disse muita coisa, mas no final percebemos que ele não disse nada, e a maior prova disso é que Eclipse termina com a mesma cena que começa.
Bom, quem gostou dos outros filmes vai gostar desse, ou melhor, vai achar o melhor, pois é mais do mesmo, só que melhor produzido e com um ritmo mais frenético que não te dá tempo de assimilar muito o que está acontecendo.
OBSERVAÇÃO: A Saga Crepúsculo teve três filmes com três diretores diferentes e a mesma roteirista. Precisa falar onde está o problema?


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