sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lost: Across The Sea


Antes de assisti-lo, vi que Across The Sea foi muito criticado pelos fãs da série, mas não recebi spoilers, então, também não sabia o que esperar. Isso serviu para eu ter certeza absoluta que não sou influenciável. Adorei esse episódio! Talvez ele tenha vindo na hora errada, mas quem se importa com isso? Lost está acabando e mais uma vez foi provado o quão bem a trama está sendo construída por seus escritores, e uma trama bem construída é a fórmula para um ótimo final.

Ele contou a origem do personagem mais enigmático dessa temporada, o chamado Homem de Preto. Tão enigmático que nem sequer possui um nome, mas um simples nome não define quem a pessoa é, define? Depois de The Candidate, todo mundo tinha certeza que ele era mal. Mas e agora, hein, a fumaça preta é assim tão má, sendo que seu único objetivo era o de todos no começo da série, sair da ilha? Fumaça essa que foi criada pelo próprio Jacob, aliás, e que era um dos dois esqueletos chamados de Adão e Eva, sendo que a última era a “mãe” dos dois (que me lembrou muito a Rousseau).

Além disso, o episódio mostrou finalmente aquilo que já foi tema de inúmeras teorias. Afinal, o que é a ilha de Lost? Não se limitando a essas revelações, também explicou por que aconteceram as viagens no tempo, por que Jacob precisa de um substituto, e o que Widmore quer na ilha. É pouco, ou quer mais?

Foi isso que Across The Sea contou, a história por trás da história, para conseguirmos entender as motivações dos personagens que movem a trama e a série, afinal, esses acontecimentos foram refletidos ao longo dos seis anos e serão essenciais para o final da mesma, que acontecerá semana que vem. Penso que, pra quem queria saber quem diabos é esse UnLocke e por que ele quer sair da ilha, Across The Sea não poderia ser melhor. Vendo por esse lado, o episódio consegue fazer exatamente o que foi criado pra fazer, magistralmente. Alguém aí quer ver o clímax em uma hora errada? Como contar como tudo aconteceu e dar ritmo ao final da série ao mesmo tempo?

Nós já sabemos até demais sobre a vida de todos os passageiros do Oceanic 815, ta na hora de conhecermos a história do que há de mais fascinante na série. Não, não são os personagens (esses sempre ficaram em segundo plano), mas sim a ilha. Quem diz que esteve esse tempo todo olhando Lost por causa de Jack e cia, ou esta mentindo, ou está se enganado.

Não entendo por que as mesmas pessoas que vem criticando a 6ª temporada, desde o seu início, pela falta de respostas, odiaram tanto um dos episódios mais reveladores até aqui.

Quem é da escola Michael Bay de cinema precisa entender que não podemos apenas ter episódios com correria e acontecimentos apoteóticos. Para que os roteiristas possam mostrar uma história bem estruturada, é preciso, às vezes, sentar e desenvolver o universo construído, além de responder aquelas tais perguntas que certas pessoas viviam enchendo o saco para que fossem respondidas, mas, quando são, falam que estão tentando enrolar. Agora, então, não culpo mais os escritores por não quererem responder tudo em todos os episódios.

Talvez o problema dessas pessoas nem seja esse, mas apenas o saudosismo. Digo a elas que vejam apenas a primeira, no máximo a segunda, temporada de todas as séries, pois as mesmas não têm a obrigação de serem sempre mais do mesmo. Tento assistir a cada episódio como se fosse o único, assim como uma franquia de filmes, em que, mesmo fazendo parte de algo maior, tem que se sustentar por si próprio.

Acho que alguns fãs de Lost têm que parar de serem céticos, ou melhor, ranzinzas, pensando: “aquilo ali não foi pensado desde o início, isso eles inventaram agora...”. Poxa! Pra que ver uma série que não pode criar novos elementos. Nossa imaginação é sem limites, por isso talvez não gostemos de ver aquilo que antes era só imaginado. Mas então, se for por causa disso, paremos de ver Lost e começamos a imaginar.





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